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11 de agosto de 2010
Os ETs sorridentes
por: Jany Vargas
Na noite da última sexta de julho, minha filha de 17 anos atravessou a rua do Serrano correndo, sem ver que uma moto vinha descendo a rua. Quando ela percebeu, ficou naquele vou não vou e acabou ficando parada, vendo a moto se aproximando dela.
O motorista, que ao vê-la hesitando, não conseguiu se decidir por que lado desviar, acabou indo em sua direção, mas conseguiu brecar violentamente, parando muito perto dela. Ela olhou para ele e pediu desculpas e só aí vendo seu rosto percebeu que era Gabriel. Irmão da moça que trabalha em casa, que é como uma irmã dela.
No dia seguinte, quando soube, fiquei pensando em como estaria sendo o meu sábado se ela tivesse sido atropelada, se ele, o Gabriel, que conheço desde quando tinha oito anos, tivesse desviado e caído da moto e se machucado muito, na melhor das hipóteses. Como estaria sendo o encontro das duas famílias, das duas mães.
Pensei na moça que vi caída na Raposo outro dia, com as mãos cruzadas sobre o peito. Pensei na família dela. Pensei que não foi agora, mas que essa minha filha vai morrer, que eu vou, que Gabriel vai. Que os pais esperam morrer antes dos filhos, mas nem sempre acontece. E mesmo quando os pais vão antes, como é duro para os filhos.
Lembrei do Bruno, um rapaz de vinte e poucos anos, que sente tantas saudades do pai. Do Lucan, outro jovem, que contou que cresceu longe do seu pai, mas que disse que o ama tanto que quando ele morrer, vai tatuar uma lágrima embaixo do seu olho.
Mais uma história: Um rapaz que conheço, muito íntegro, batalhador, numa roda de conversa contou que, quando muito pequeno olhava para as estrelas, pedindo fervorosamente que elas viessem buscá-lo, mas que acabou, quando mais velho, tendo uma reunião com ETs e que eles o convenceram a ficar na Terra.
“Como assim?” perguntamos. Ele contou que se sentia muitas vezes saindo do próprio corpo e por isso fez um curso de viagem astral. Num certo dia, numa dessas viagens, se viu na casa dos pais e lá não tinha ninguém. Resolveu sair e quando abriu a porta deu de cara com um ET. Assustado foi para o quarto dos pais. Lá tinham mais quatro idênticos. Nada havia que os diferenciasse, mas ele disse que podia sentir a energia feminina e masculina. Conversaram muito com ele.
“Sobre o quê?” perguntamos. Ele disse que não consegue reproduzir, que não era uma conversa com palavras, era um entendimento em outro nível, mas que ele imagina que aquele conteúdo sai nas letras de músicas que ele compõe.
Aí uma das ETs sentou na cama em frente a ele e estendeu a mão. Ele disse que não ia tocar nela, que não confiava, etc... Os Ets, pacientes, continuaram conversando. Quando enfim ele deu a mão para ela, acordou em sua cama, ensopado de suor e em êxtase absoluto. E aí ele terminou o relato dizendo que resolveu ficar para ajudar a Terra a se iluminar. “O que você entende por iluminar?” perguntei. Ele respondeu: “Contribuir para que as pessoas tenham uma relação melhor entre elas e com o planeta”.
Lembrei dessa história, quando me dei conta que a primeira coisa que minha filha fez ao perceber que não tinha sido atropelada foi pedir desculpas ao Outro, ao Gabriel e que ele não brigou com ela, ele agradeceu a Deus, depois ele me contou. Isto é, o que aflorou desses dois jovens, na situação limite de se verem ameaçados em suas integridades físicas, foi cuidado com o Outro e gratidão. Acho que os ETs, naquele momento, sorriram lá das estrelas!
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